sábado, 21 de janeiro de 2012

O peso da pança

(esse era o post da semana passada que, sei lá por qual motivo, ficou apenas como rascunho)

Me prometi escrever ao menos uma vez na semana, para ver se crio uma regularidade como tinha antes e já falhei na segunda semana. Olha que coisa feia! Mas tá, falhei por um dia, por preguiça, falta de vergonha na cara e adjacências. Agora aqui estou para recuperar.

Vamos falar sobre a balança, minha pior inimiga. Ontem estava sapeando pela internet quando minha amiga me manda esse link , com a novidade de que podemos doar "gordurinhas" para a ciência, ou seja, invés de admitir na cara lavada que fez uma lipo para ficar gostosa, você diz que tirou pelo bem da ciência, que dali conseguem tirar células tronco ótimas e todo um papo politicamente correto. Imagina se não me empolguei, né?

Tudo bem que ainda demora para eu doar a pança para a ciência porque antes quero parir uns filhos e para isso precisarei dessas células gordas e elásticas, mas depois posso doar sem pensar duas vezes. A ciência ganha uns 20kg de banha e eu, uma barriga decente.

Mas aí me olhei no espelho novo (aquele ali do post abaixo) e senti um pouco de alegria com meu corpo. Ele anda escangalhado, gordo, mas melhorou muito! Em 1 ano lá se foram 16kg. Ainda sobram 10kg aqui, flácidos e incômodos, mas sinceramente, depois de chegar aos 89kg, me sinto ótima com 73kg. Ah sim, eu tenho 1,62m. Para ser modelo eu deveria pesar 53kg, mas só quero ser uma pessoa normal, vivendo normal, indo a churrascarias, rodízios japas e cantinas.

O milagre de tudo isso foi fazer as pazes comigo mesma, mas para isso contei com a ajuda de um programa de controle alimentar e atividade física, oferecido aqui. Lá não só tive atividade física como o acompanhamento de nutricionistas e psicólogas. São três vezes na semana, por 1h, de atividades alegres, brincadeiras, sem aquela pressão da academia, com seus espelhos para todo lado. Monitores jovens e animados; psicólogas de olho nas nutricionistas para que elas não tentem obrigar as alunas ao regime, que entendam primeiro o motivo da comilança; as nutricionistas são delicadas, acreditam em mudanças e que cada uma das alunas tenha o potencial de conseguir se controlar. Uma equipe tão afinada, tão especial, que me motivou muito.

Uma das coisas que mais me marcou foi a palestra da psicóloga chefe, quando ela diz que precisamos viver em paz com a comida. Nada de se sentir ameaçada porque tem um bolo de chocolate na mesa, a menos de 10m de você. Nada se pensar que o pão é seu inimigo. Esquecer essa neura de 'só mais um pedacinho'. Para mim fez todo o sentido. Comer por pressão, medo, ansiedade, raiva, tristeza não resolveria nenhum dos problemas. Encará-los sim.

Só que encarar nossos problemas de verdade, aqueles que ficam embaixo do tapete e de jeito nenhum queremos olhar, não é fácil, mas também não é impossível. É uma questão de tempo, de ajuste, de olharmos para dentro. Aos poucos estou conseguindo. Descobrir o quanto sou avessa a contato, proximidade, intimidade tem sido o grande x da questão. Com isso é como se eu visse um videozinho da minha vida e conseguisse entender porque tantas coisas me irritam, me incomodam, me fazem pirar.

E enquanto vou me descobrindo, deixo a comida de lado. Já como para viver, invés de viver para comer.

De repente percebi que 10 anos, desde que meu pai morreu, já se passou. Congelei no tempo. Fiz coisas essenciais e nada mais. Tentei um casamento que fracassou e a culpa foi minha, mas descobri que foi o único homem com quem me relacionei de verdade, com quem fui eu mesma e aí consigo entender porque fui feliz no tempo em que estivemos juntos. No que fomos infelizes a culpa é sempre compartilhada, mas olhando aqui no que me cabe, como eu queria que tivesse sido diferente.

Todos os quilos engordados nesses 10 anos vão embora aos poucos, conforme coloco cada tijolo em seu lugar, guardo cada caixa de memória, limpo a poeira dos sentimentos, recolho o lixo que ficou embaixo do tapete, organizando minha vida, abrindo meus caminhos. Quase como a Babá Mcphee, que, na medida em que educa as crianças, vai sumindo a verruga, a monocelha...

3 comentários:

  1. Sissi, Parabéns por essa conquista, parabéns por descobrir a se amar e por nos permitir participar dessas vitorias com você. Estou aqui sempre, pro favor, não me deixe orfã de seus post.
    bjokas

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  2. Sissi , meu pai faleceu em 2010 e as vezes eu penso que a minha vida nunca mais será a mesma sem ele ... mas isso não refletiu na balança , mas na minha saúde emocional refletiu bastante , estou buscando melhorar a cada dia , mas é complicado mesmo

    Beijos
    Bom fds

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  3. Que bom Sissi que estás mais de bem com a vida. Achei mto legal programa q você fez. Eu tenho q emagrecer, mas ainda não estou determinada. e sem isso sei que o peso vai subir e vai descer... espero q logo essa minha diposição interior mude, assim como vc tb conseguiu mudar. E está de parabéns, 16 kgs é uma grande vitória.
    Bjocas.

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