Amado pai, lá se vão longos 10 anos... Fizesse uma retrospectiva desse tempo todo, não caberia em um post. É tempo, não? Só agora, parando para pensar, é que consigo ver um pedacinho do que representam todos esses anos. 2001 para 2011. Senti sua falta todos os dias. Senti vontade de abraçá-lo tantas vezes que nem sei fazer a conta. Ri sozinha imaginando sua expressão diante de alguns fatos. Chorei sozinha também pensando qual seria sua reação diante de outros. Senti sua proteção e tenho certeza que esteve ao meu lado tantas vezes boas e ruins. Sabe, pai, tentei imaginar milhares de vezes diálogos nossos sobre assuntos importantes, mas fui descobrindo aos poucos que não te conheci tão bem como deveria. Não soube das suas histórias -- contadas depois por algumas pessoas --, não soube das suas raivas, nunca ouvi um palavrão seu. O senhor foi para mim totalmente pai, tão perfeito, tão simples, tão meu. Uma pessoa que sabia dos meus gostos, que fazia minhas vontades, me tornava especial, única entre bilhões. Perder sua companhia, sua palavra, sua severidade doeu tanto. Quando ninguém me entendia eu só queria vê-lo chegar para me abraçar e conversar. Quando ninguém podia, eu só queria pedir que me acompanhasse até ali para comprar sandálias. Nunca mais fui embora pela portaria em que me esperava à tarde. Nunca deixei de falar sobre o senhor nos momentos em que podiam te esquecer. Demorei alguns anos para falar do senhor no pretérito e isso só aconteceu porque passaram a me corrigir. Por todos esses anos sonhei que o senhor voltava. Quando lembro da cena de sua morte, dói tanto que me sufoca. Dia desses sonhei que o senhor morreu e meu irmão tinha que carregar de novo seu caixão. Doeu também. Ele está feliz, merece ser feliz. A minha vida afetiva parou. Melhor não amar para não morrer. Mas isso não faz bem a ninguém. Quero saber para onde vou, com quem vou e por que vou. Quero constituir a minha família e viver as alegrias e tristezas que estiverem pela frente. Só que para isso precisamos nos despedir. Nada traumático como nossa primeira despedida. Algo bem mais suave, gradativo. Em conversas de fim de tarde, em uma sala tranquila, aconchegante, pouco a pouco vamos nos despedindo. O senhor pelo seu caminho de luz, eu pelo meu caminho de vida. Sua lembrança em meu coração, para sempre, mas no lugar certo. Nada de luto espalhado pelo chão, bagunçando todo o espaço. É hora de te deixar ir.
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Emocionante esse texto...
ResponderExcluir10 anos passam tão rápido... e dá tempo de acontecer tanta coisa....
Dizer meus pêsames agora é tarde eu sei, mas meu sentimentos mais sentidos....perder pai e mãe doem....
Não que eu diga por experiência, pois eu tenho os meus ainda e quero conversa-me ao lado deles o máximo de tempo possivel.
Pai e mãe não deviam morrer nunca.
Bom recomeço para ti menina.... muita força nessa hora
Puxa, q palavras lindas.
ResponderExcluirCom certeza seu pai deve estar orgulhoso que vc está se abrindo aos poucos. Isso é importante, isso é viver, seguir... espero de coração que você prossiga. Você será feliz, ele tb. E tb todos que te rodeiam, porque te amam e querem te ver bem.
Força, coragem e fé! Bjocas.