quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Reflexões

Esse feriado fiz algo que há tempos não fazia: assisti a dois filmes, um ontem à noite e outro hoje, depois do almoço. Na verdade estou, há 4 dias, tentando assistir ao Esposa de Mentirinha, mas o cabo hdmi que tenho não é compatível com meu note e o dvd, que tem usb, não conseguiu ler o arquivo... Tudo bem, sou brasileira, não desisto nunca. Pensei em comprar um note novo, mas aí é matar o boi para acabar com o carrapato né. Melhor procurar um cabo compatível, assim que eu descobrir como chama esse buraquinho que tem aqui -- sem trocadilhos, ok?

Bom, o que quero falar é sobre os filmes que, embora sem intenção alguma, tinham um paralelo. O primeiro, que assisti ontem à noite, foi O Casamento de Rachel. As resenhas costumam contá-lo como uma garota problemática que tumultua o casamento feliz de sua irmã, mas não é bem assim. O que o filme retrata é um conflito familiar em que as pessoas tentam esquecer o acontecido, anulando a filha, deixando-a apenas como problemática, drogada, irrecuperável. Uma forma de punição àquela que causou sofrimento a todos. Mas ela, sabedora do que causou e cheia de culpa, procura sua redenção.

O outro filme que vi foi Lembranças, com as mesmas resenhas mal escritas, mas que, no final das contas, também fala de conflitos familiares, a dor que anula o outro, cega, transforma. Pessoas fechadas em seu sofrimento e incomodadas com uma: aquela que tenta a redenção, procura unir os laços desfeitos, reparar pontas soltas. Todavia as resenhas falam dessas pessoas como desajustadas, rebeldes, desqualificando não apenas o ser humano, mas sua intenção. É preciso ter olhos mais abertos àqueles que não se encaixam, não se acomodam ao senso comum, ao cômodo, ao plano. São pessoas que amam. Desesperadamente amam.

Chorei nos dois filmes. Eles não são tipicamente felizes, são mais próximos da realidade e por isso comovem. Comove pensar que podemos recomeçar, reconstruir, construir, crescer, amadurecer. Agora o melhor mesmo é saber que tantas coisas nos acontecem para nos transformar e, da transformação, podemos fazer o bem ou o mal. Podemos ser mais ou menos. Podemos crescer ou simplesmente nos lamentar. 

Em minha análise, a palavra redenção foi lindamente empregada para tocar algo em nossos corações: o perdão. E falando em perdão, uma frase usada foi "não precisa perdoar hoje", significando que precisamos de tempo para elaborar algumas coisas e encontrar nossa paz. Detalhe: quando lemos ou ouvimos isso parece-nos de pronto que é perdoar o outro; livre-se do senso comum e analise por outro ângulo: precisamos perdoar a nós mesmos não agora, mas em algum momento. Esse é o perdão mais difícil, pois ao outro é fácil imputar a culpa e absolvê-lo, mas e quando a culpa é nossa? E quando conhecemos todos os meandros daquilo que nos fez errar? Aí sim é preciso tempo, amadurecimento e superação.

E foi isso, a redenção, o recomeço, o perdoar e perdoar-se, que me trouxeram tantas boas reflexões. Bom final de semana para vocês e a dica que, se não viram, vejam. Se viram por outro prisma, compartilhem. Se não prestaram muita atenção para esse viés, revejam.

1 comentários:

  1. Sissi eu adorei lembranças, também... achei tão lindo e chorei baldes. Já O Casamento de Rachel eu vou te dizer que vi logo que saiu em DvD e fiquei sem saber o que achar daquela história... quando acabou eu fiquei pensando que havia perdido algum coisa no meio da história... mas você me inspirou a querer rever. Farei isso, vou vê-lo o mais rápido possível. Depois te conto.

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